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1ªreação:
2ªreação: -Até que ela está bonita…
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1ªreação:
2ªreação: -Até que ela está bonita…
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Você está passando por uma fase ruim, sai apressada de casa só a café preto, suas pernas parecem meio sem rumo. E para completar, o sol brilha forte; isso te enfraquece. Parece uma blasfêmia, um dia de sol para alguém tão mal. Parece um insulto! Nas calçadas movimentadas e congestionadas da cidade parece quase impossivel não esbarrar em alguém nesse estado. E é: Você esbarra em alguém, e pede perdão, desnorteada. Como resposta um olhar feio, sobrancelhas franzidas, um riso do tipo “eu hein.” Acho melhor correr, no estresse do século XXI há certos riscos em esbarrar com alguém na calçada; você pode acabar espatifado nela dois segundos depois. Há uma semana atrás o sol também brilhava. Você tinha saído de casa animada, feliz da vida, era seu dia de recuperação depois de semanas em casa sentindo uma dor aguda nas “vértebras” da auto-estima. E então alguém te olha veio e começa. Uma pulguinha atrás da orelha, aparentemente inofensiva. Você olha para trás e se pergunta: “Ué, o que eu fiz de errado?” Continua seu dia normalmente, tenta não se estressar facilmente, você está feliz demais para isso. Até consegue ignorar as fofoqueiras no trabalho - dias depois quando a dor voltasse, sua auto-estima despencaria, e toda aquela ignorância desabaria junto. Nesse dia você deu sorte minha jovem, sua alegria ofuscou qualquer cochicho e qualquer olhar feio. Mas não pense que tudo isso simplesmente passou batido. Você viu tudo, cada detalhe, apenas não quis remexer nisso, não num dia de recuperação. Deixou quieto dentro de você. Tsc, tsc, nada aconselhável. Todas as coisas guardadas dentro da gente voltam com força total depois. A noite você volta para casa e no ponto de ônibus, é sujeita a mais olhares feios - eles nunca terminam! Finalmente você pode se ver livre da agitação, está há alguns passos de casa, e pode finalmente apanhar as chaves na bolsa e abrir o portão. Na rua alguém dá boa noite para alguém; você se vira e vê que é o seu vizinho do outro lado da calçada, Sr. Fulano de tal, sorridente. Um olhar trocado, mas você se vira e entra em casa. A pulguinha atrás da orelha coça. Bem, não há ninguém ali para te culpar, você não tem culpa de estar cansada e distraida pensando nos olhares feios que recebeu. Durante o banho você tenta encontrar desculpas favoráveis para não tê-lo cumprimentado - digo, o Sr. Fulano de tal. Estava escuro, era noite, ele obviamente entenderia. O seu cansaço estava evidente, não seria difícil de entender. “Pobrezinha, deve estar tão exausta que nem ouviu.” Ah, o colchão parece tão macio e as cobertas tão acolhedoras. Você se joga na entre as cobertas, o ventilador ligado secando o pescoço úmido do banho. E depois? Depois você é obrigada a tentar dormir mesmo com todas as perguntas martelando sem cessar, mesmo com a pulguinha irritante atrás da orelha fazendo cócegas. Pensa e repensa em todos os olhares feios, no cumprimento que não foi oferecido, nos cochichos das fofoqueiras. Isso te faz pensar que há alguma coisa errada com você. Você respira fundo, rola de um lado para o outro, se questiona. Toda essa agitação se deve a sua recuperação fracassada, a sua falta de confiança, ou é apenas a realidade sendo vista? Depois de horas tentando dormir, seu organismo protesta a falta de sono e você chora. A madrugada finalmente termina, e mais um dia nasce. Você então é obrigada a passar por um dia ruim, a encarar o sol que parece escaldante, a se deixar ser esquentada por um dia de verão quando tudo que você deseja é o escuro do quarto. Parece um insulto! E é exatamente isso que me cansa. Estou absolutamente cansada de contatos secundários, sempre tão frios e formais. Quero um out-dor informando claramente todos os meus traumas e problemas, porque não, não sou forte, não posso passar por isso sozinha, e sou egoista ou burra o bastante para compartilhar problemas. Eu apenas estou cansada de ter meu dia estragado, já não sei quem deve ser preso. Se os olhares feios e carrancudos, ou a minha auto-estima fragmentada. Alguém tem que ser culpado pela minha dor nas vértebras. E penso seriamente às vezes em simplesmente jogar o sorriso no lixo e extravasar, em xingar as fofoqueiras, em questionar os olhares, e a esfregar na cara do Sr. Fulano de tal que eu não tenho obrigação nenhuma de cumprimentá-lo, passar bem! Mas com isso eu acabaria definitivamente sozinha. E cedendo ao meu egoismo - desta vez certamente egoismo - humano, me retenho. Afinal preciso compartilhar problemas, e se as paredes tem ouvidos, boca elas não tem para opinar. Já testei. Juliana Nery (des-cicatrizar)